22 de jul. de 2013

A Vida - Consegue explicá-la?


Definir vida é antes esperar morrer e então pô-la em palavras. Apesar disso, tanto aqui quanto acolá há um ranço angustiante que toma conta não de alguns velhos, mas de outros de meia idade, convencidos de que já viveram muito, e que tomam para si em oportunidades prosaicas a capacidade de definir algo que não se pode explicar.

Parafraseando a eterna Dercy Gonçalves, não é Deus quem escolhe quando morremos, mas nós mesmos, seja por obra do destino – como em um acidente – ou por pura vontade de ir embora. Essa, a mulher do século XX, tinha sim toda a honra de poder falar de uma vida que foi da mais pura lembrança de chão de terra a se tornar uma das mais conhecidas humoristas – eu já a ascenderia ao título de mais conhecida – da história do Brasil.

Viver não se resume a acumular peripécias e histórias aventurosas para contar aos netos. O fascínio de uma vida bem vivida vai além de uma pura vivência trivial e por isso nula, mesmo que com ares de um roteiro de cinema com amontoados de tramas paralelas e intrincadas, com pitadas de todos os gêneros. O sentido de viver carrega consigo um senso de paz interior, do que muitos chamam “dever cumprido”, um sentimento deveras complexo, e que eu repito, é algo que vai muito além da compreensão de todos, portanto impossível de ser maturado por esse curto texto. A pretensão de ao mesmo tempo propor algo na primeira linha e discorrer de forma contraditória é visível, tanto quanto a vontade de viver uma vida digna, virtuosa, bem como morrer, para então conseguir explicá-la.

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