#6 Sobre a fama, o reconhecimento e suas crias
Quando vemos algum artista discursando sobre levar seu produto até as pessoas e expô-lo, até que ponto vai esse sentimento de reconhecimento por suas habilidades? Onde ele termina e onde começa a gana por dinheiro, inerente a todo ser humano que habita o século XXI? Essa questão só poderia ser resolvida caso um estudo complexo e honesto, por parte dos artistas, concluísse em números a quantidade de artistas que abertamente declara ser de grande importância o reconhecimento monetário. Enquanto o estudo não sai, vamos ponderar e especular.
Não me recordo de alguma época histórica em que fosse costumeiro não receber bens materiais em troca de arte. A princípio, as duas coisas não se batem. Seria como transformar pensamento em pedra, mas elas se deram tão bem que desde sempre trabalham unidas. Desvencilhar uma de outra seria fácil, aparentemente, mas o que as mantêm unidas não sobrevive sem essa união.
Existe hipocrisia nisso tudo? Talvez, mas a vontade de se expressar se confunde com a necessidade de se sustentar. Se já é difícil se sagrar um famoso (fazendo algo decente e virtuoso), seria querer demais que tudo isso fosse feito de graça. Agora seria justo cobrar por um sentimento, uma sensação que se transmite? Quem sente é quem decide.


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