Percepção - Particularmente confusos
Há algum tempo estava voltando da casa de minha avó sentado
num banco do ônibus em pleno inverno. No começo da viagem, após me acomodar no
assento, tudo parecia tranquilo. Olhando através do vidro empoeirado eu
comtemplava a escuridão com meus fones de ouvido apostos. Num dado momento, já
com a viagem iniciada e tendo já apreciado um pouco da paisagem rural à luz da
lua cheia comecei a sentir meu joelho frio, a única parte de meu corpo naquele
momento em que estava sentindo essa sensação. Ao procurar a causa de tal,
percebo que uma pequena fresta da janela estava aberta. Estranhei, já que
quando ali havia sentado, tudo parecia bem fechado. Logo olhei para um homem
corpulento (entenda o contrário de definido) e presumi que ele a houvesse
aberto. Fechei-a. Após alguns minutos, novamente senti aquela sensação frígida
e novamente a janela estava aberta. Naquele momento percebi que alguma coisa
estava errada e acabei por cincluir: A janela, com o balanço do ônibus, abria sozinha. Fechei-a e
continuei curtindo minha música. Quando senti aquele friozinho de novo, logo vi
que a viagem toda teria que ficar fechando a bendita janela e por isso fiquei
alerta, caso acontecesse mais uma vez. Entretanto, pensamentos frutíferos me
abateram e logo baixei a guarda, deixando que mais uma vez aquela sensação me
atingisse. Enfim, a viagem toda vivi entre a necessidade de não passar frio e a
involuntariedade de me desapegar de tal fato frente ao pensamento em árvore, uma
vez ele (parcialmente) resolvido.
Isso, em escala maior, me conduziu à ideia de que quando nos vemos frente a um dilema (simples ou complexo) podemos ser enganados por nós mesmos e deixá-lo empoeirar-se em nossa imperfeita (!) mente.
Viver uma situação ruim (como a morte de um ente querido) é presenciar um friozinho (glacial) em nosso ser, mas quando o tempo age temos momentos em que nos desapegamos e continuamos a viver nossas vidas. Afinal, queira você ou não, somos todos, de forma despropositada, friamente singulares.


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